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Mercredi 15 novembre 2006 3 15 /11 /Nov /2006 02:56

Caros colegas,

Um projeto recente, bem sucedido e bem-vindo na república das letras que se ocupam de Angola, chama-se sem dúvida alguma "angolanistas". Não que "angolanistas" designe propriamente um projecto, mas tão somente a iniciativa de mobilizar os angolanistas (=especialistas sobre Angola), estejam onde estiverem, sejam angolanos de naturalidade e residência ou estrangeiros, em torno de um projeto comum: fomentar o conhecimento propositivo capaz de apoiar os esforços de reconstrução e do progresso sustentável do nosso país. Significa, enfim, produzir um despertamento que seja até capaz tirar das gavetas e prateleiras de universidades centenas de dissertações, pesquisas e teses (onde dormem inertes e silenciosos há décadas) para ganhar, no calor dessa iniciativa, o formato de livros ou documentos indexados para apoiar a pesquisa científica e académica sobre a realidade e destinos da nação.

 

Muitos intelectuais pelo mundo inteiro e, repito, em Angola, têm consagrado sua vida intelectual/académica/científica a estudar temas relacionados com esse país. No entanto, ainda assim, estranhamente, Angola está entre os países do terceiro mundo que vivem de um modelo de gestão cujos projectos e programas de acção são concebidos à toque de caixa. Esse rico país ainda está entre as nações que vivem, em matéria de informação objectiva, de dados apenas probabilísticos. Embora tenhamos no terreno académicos e intelectuais ocupados com o fazer/discurso científico, a falta de interesse formal pelo ordenamento científico da prática política e da gestão pública, somada à total falta de investimentos oficiais em pesquisa científica básica, faz desses académicos apenas estrelas de um pequeno mundo confinado dentro das paredes de uma única universidade pública, até hoje sem laboratórios e sem bibliotecas aceitáveis. Basta atentar para o facto de que, nesse país onde tudo está por fazer, a única universidade pública vive de pires na mão à cata de recursos de parcerias privadas para ensaiar seus primeiros intentos de arrancar na pesquisa académica nos tempos de paz. Pois bem, incrementar a luta no sentido de ultrapassar rapidamente essa situação, que certamente entrava todas as perspectivas do desenvolvimento social, político, ambiental e económico sustentável de Angola, malgrado a boa intenção e o otimismo de muitos patriotas que enxergam já alguns avanços, é que torna essa iniciativa salutar e oportuna.

Infelizmente certas formas de maturidade não são um dom por atacado disponível para todos, a disposição de todo aquele que delas precisa. Como bem lembrou outro dia o colega Feliciano Cangue, a realização do I Fórum de Quadros Angolanos e Angolanistas no Brasil, uma de suas manifestações e mobilização cidadã visíveis, significou para nós angolanos, particularmente os estudantes e pesquisadores, e para os angolanistas em geral, a nossa "Semana da Arte Moderna". Aqueles que partilham os objectivos dessa iniciativa, isto é, os de promover a consciência do engajamento científico e acadêmico em prol do progresso de Angola, e lutar pela visibilização proveitosa dos seus quadros, buscando integrar suas produções acadêmica e científica aos projectos de solução que o país busca para os seus problemas e para sua reconstrução pós-guerra, sabem que este caminho é penoso e não conta ainda com o entusiasmo e o apoio da grande maioria dos nossos compatriotas (principalmente os do poder), por lhes faltar a consciência de um fato básico: a dependência que qualquer país no mundo contemporâneo tem das idéias especializadas à seu serviço.

Nunca acreditei que todos os compatriotas pudessem alcançar entendimento e expressar entusiasmo, até pelo fato simples de que inúmeras posições manifestadas no início desse projecto nunca foram, in jure, construtivas ou encorajadoras. Ao invés, muitos até contribuiram com ações e palavras para desmerecer os propósitos e objetivos programáticos manifestados pelo Fórum de Angolanistas desde o seu nascimento. Ao invés de somar, trocar idéias e debater objectivamente proposições de convergência, muitos preferiram mesmo o viés da polêmica simplória, como professores que buscam doutrinar e corrigir a um bando de pretensos estudantes equivocados. O que me pareceu louvável e brilhante foi que o Fórum manteve aberto o direito de nele entrar e permanecerem em torno de um objectivo comum: a convergência construtiva, propostiva e produtiva.

De ressaltar ainda o salutar gesto de que o fórum eletrônico permaneceu um espaço aberto (postagem direita), sem censura de mensagens, regras que fazem parte das plataformas eletrônicas dialógicas. Por isso mesmo, as impropriedades dos membros do grupo que deram sinais de despreparo para o espírito que se fecundou não são culpa deles, mas o produto de uma cultura nacional que despreza a solidariedade e a convergência para o bem comum em nome da competição gratuita e sem fundamento, e da “territorialização” dos interesses. Tenho notado que muitos angolanos estão dispostos a pagar o preço, a não desistir diante dos entraves artificialmente postos, sobretudo quando seguros de que lutam por ideais e projectos do tamanho da esperança do seu povo, do tamanho do seu país. Um papel que só será cumprido se do interior desse tipo de iniciativa nascerem frutos de paz, de reconciliação, de entendimento e esperança - as metas que teremos de perseguir se quisermos realmente consolidar a paz e construir a grandeza angolana que desejamos como herança para nossos filhos...

Parabéns a todos que compreenderam a necessidade dessa iniciativa e luta para sorgue-la a alturas do tamanho da importância do nosso país.

Zakeu Zengo

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Mercredi 15 novembre 2006 3 15 /11 /Nov /2006 02:02
A economia em África vai continuar a crescer até 2007, apesar das catástrofes naturais, das guerras e conflitos políticos que subsistem no continente, refere um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), denominado "African Economic Outlook" (Visão Económico sobre África). Para a instituição a actividade económica em África cresceu 05 por cento em 2005, prevendo a OCDE que cresça 5,8 por cento em 2006 e 5,5 por cento em 2007.

Apesar deste crescimento económico, o relatório refere que alguns países continuam a enfrentar graves problemas de desenvolvimento, nomeadamente o Sudão com o conflito de Darfur e o Zimbabwe devido ao colapso económico provocado pela Reforma Agrária, iniciada em 2000.A seca e a crise alimentar que afectam a África Ocidental e Austral também prejudicam o crescimento económico de muitos países destas regiões. A Etiópia, a Cotê Divoir, a Nigéria e o Tchade são outros países que podiam ter um melhor desempenho económico, mas os problemas internos impedem esse desenvolvimento.

Independentemente da insegurança, conflitos armados e políticos e corrupção, a OCDE considera que o desenvolvimento para muitos países africanos é positivo, nomeadamente da África do Norte. A OCDE refere também que para este desenvolvimento contribuiu o aumento da ajuda internacional e da estabilidade macroeconómica em alguns países, bem como o aumento da produção de petróleo. A inflação média no continente africano manteve-se baixa, mesmo tendo em conta o aumento do preço do petróleo registado nos últimos meses, acrescenta a OCDE.

As balanças comerciais de muitos países melhoraram, com maiores ganhos para os países exportadores de petróleo e metais, segundo o documento, que sublinha que outros países foram afectados com aumentos das importações devido ao baixo preço dos produtos agrícolas exportados, como o cacau e o algodão. Em relação à boa governação, a OCDE identificou esforços nos países exportadores de petróleo para serem mais transparentes nas operações, nomeadamente com a introdução de leis de fiscalização.

A organização sublinha também que a democracia começa a ser uma realidade em muitos países africanos, mas a corrupção, sob as mais variadas formas, continua a ser um obstáculo ao desenvolvimento. No que diz respeito ao cumprimento dos Objectivos do Milénio das Nações Unidas, só os países da África do Norte estão a conseguir dar combate à pobreza, diminuindo o número de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia.Numa proposta para melhorar o desenvolvimento económico do continente africano, a OCDE defende a criação de uma boa rede de infra-estruturas de transportes através de maiores investimentos públicos e a participação de privados. Segundo o relatório, há algum desenvolvimento nos transportes aéreos com criação de carreiras entre vários países, mas o isolamento das pessoas, dentro dos países, devido há falta de acessibilidades, contribui para a sua pobreza e marginalização.

África continua a ser um continente com fraca mobilidade, sublinha o relatório, referindo que na África Subsaariana só há 1.500 milhões de quilómetros de estradas e que apenas 19 por cento são asfaltadas. O estudo da OCDE foi elaborado em conjunto com o Banco Africano para o Desenvolvimento e financiado pela Comissão Europeia. De recordar que a Assembleia Nacional aprovou no passado dia 23 de Maio do corrente ano a adopção da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, no sentido de criarem mecanismos para acabar com práticas de corrupção nos países membros da ONU.

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